4 de jan de 2009

Bicho

Inspirada num bicho pintado na Bandeira do Manuel


Ela e o amigo saíram do cinema. Excelente filme. Valeu cada centavo pago. Papeavam descontraidamente.

A temperatura havia caído bastante. Era quase meia noite.

Por causa do horário, tiveram que circundar toda a extensão do shopping para chegar onde estava o carro.

Na imundície da rua notaram que tinha chovido.

O amigo o viu primeiro e o apontou.

Ela ergueu os olhos.

Lá estava ele, o Bicho, catando comida entre os detritos.

Silêncio.

Primeiro a vontade de sair correndo. Depois, ela quis chegar mais perto. O amigo a deteve. Era perigoso e nojento. O amigo estava com ânsia.

O Bicho, quando encontrava alguma coisa no lixo, não examinava nem cheirava. Engolia com voracidade.

Ela ficou estancada, olhando.

O Bicho não era um cão, não era um gato, nem mesmo um rato.

Ela chorou.

O Bicho, sozinho e humilhado, meu Deus, era um homem.

Tomando-a pela mão o amigo a levou ao carro e foram embora.

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