26 de jun de 2009

Felicidade Clandestina

Inspirada numa possibilidade

Haviam namorado na adolescência. Namoro conturbado, moldado pelo cíúmes e medo de traição que sentiam, mas gostavam-se. Isso era óbvio.

Quando o namoro acabou, sofreram, mas o orgulho não os deixou reatar.

Alguns anos se passaram e, mais maduros, os ex-namorados retomaram a amizade.

Se encontravam para relembrar histórias, rirem das brigas e comentar sobre os amigos.

Foram se vendo cada vez mais e a vontade de se verem crescia e crescia.

Engataram um novo romance. Clandestino.

Ambos estavam envolvidos em outros romances, mas sentiam necessidade de se verem, de se tocarem. Adoravam aquela retomada da aventura da adolescência.

Mas, a consiência passou a assombrá-los e, sem coragem de enfrentar o mundo em prol daquela felicidade, romperam.

Muitos anos se passaram e, já maduros, mais uma vez os ex-namorados se reencontraram e retomaram a velha amizade.

Se encontravam para relembrar as velhas histórias, riam das velhas brigas e comentavam sobre os velhos amigos. E foram se vendo cada vez mais até que retomaram o velho romance. Clandestino.

Embora ambos estivessem envolvidos em outros relacionamentos, ansiavam por se ver, tocar e conversar. Sentiam-se jovens quando estavam juntos. Conversavam todos os dias.

Não precisavam representar papéis de conduta um com o outro, pois conheciam-se ao avesso.
A felicidade clandestina que experimentavam na maturidade lhes deu coragem de assumir que se amavam e não podiam mais viver separados.

Enfrentaram o mundo. Juntos.

Por 45 dias foram as criaturas mais felizes do planeta, até que ela morreu de aneurisma e, dois dias depois, ele de enfarto.

3 comentários:

  1. O fim não precisa ser assim Fá.

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  2. Leoa, vejo 3 hipóteses filosóficas que são sua cara.
    - protelaram tanto que quando decidiram era quase tarde demais.
    - o fim foi castigo pelo que fizeram aos parceiros.
    - eles morreriam de qualquer jeito.

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