17 de mai de 2011

Dito pelo não dito

Inspirada num comentário


Há tempos não registro palavras por aqui.
Tudo bem que o ritmo de vida é frenético. Filhos, trabalho, marido, mudanças, mas não são desculpas autênticas, já que ando registrando parcas palavras em outros meios de interação virtual - como o twitter -, mas que não possuem o enlevo da proposta deste Blog.
Confesso, não sem vergonha, que até mesmo minha devoração de histórias anda limitada à revista Bravo!, da qual não tenho nem aproveitado as dicas literárias, musicais e cinematográficas, mas em contrapartida, aviso aos navegantes que tenho mantido um caderno (papel, linhas, espiral) ao lado da minha cama, no qual, no meio da noite, anoto pedaços de histórias, ideias e lembranças que em breve - espero - estarei postando, para meu próprio deleite.
Esclarecimentos redundantes e irrelevantes a parte, aproveito e deixo registrada minha posição quanto ao novo livro do MEC que considera válida a grafia livre, bem como a livre construção frasal, do tipo "nois pega as bola".
Oras bolas, piraporas!
Se assim for, nosso registro escrito, o registro escrito da nossa língua, transformar-se-á em uma Torre de Babel.
"Sem regras não há código e sem códigos a comunicação fica difícil" eu escrevi em 2008, no meu projeto de Iniciação Científica intitulado "Musicalizando a gramática: um novo jeito de ensinar", publicado aqui e acredito piamente nisso.
Vejo essa flexibilidade textual como forma de melhorar os índices de analfabetismo do país, já que qualquer um que conheça, ao menos, as letras do alfabeto poderá ser considerado alfabetizado, mesmo produzindo esse tipo de dislexia textual.
Temos que pensar nas gerações futuras.
Se não padronizarmos nossa escrita, como nossos bisnetos, tataranetos, e pós tataranetos lerão o que escrevemos hoje?
Se um indivíduo não consegue ter domínia sobre a grafia da própria língua, como poderá vir a adquirir outrs habilidades ou até mesmo outras línguas?
O inglês, língua "universal", por acaso aceita de bom grado a deformação de sua grafia?
Falta coerência ao MEC, que não está adequando o ensino à nossa realidade social e econômica, de país em desenvolvimento, que precisa capacitar sua população para que esta possa interagir globalmente.

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