6 de jul de 2010

O quieto animal da esquina



Inspirada numa incongruência

Sempre apregoei e continuo afirmando que a beleza de uma obra está nos olhos e ouvidos de quem a vê, lê ou ouve e não na intenção do autor.
O conceito de "Arte" depende da interpretação do seu espectador.
Argumentado meu ponto de vista, que venha a história...
Tenho devorado e redevorado vários livros, de diferentes estilos e inúmeros autores, para manter meu corpo em repouso, na cama.
Algumas leituras são esquecidas assim que terminadas. Outras, me incitam a escrever.
Assim está sendo com "O quieto animal da esquina", obra de João Gilberto Noll.
Confesso minha ignorância. Eu nunca tinha ouvido falar nele. Nem bem, nem mal, então, iniciei a leitura sem influências.
Geralmente, gosto de iniciar leituras assim, pois posso ler sem rótulos, à minha maneira, desvendando a história página por página.
Com esse livro, no entanto, nada consegui desvendar.
Que merda.
O livro não tem sentido.
Não tem lógica.
São entrelinhas demais.
Não há desfecho, nem explicação.
Adoradores de Noll podem me acusar de necessitar de historinhas redondinhas, com início meio e fim. Tolos. O livro é ruim...
Adoro a subjetividade. Prova disso é que adoro Clarice Lispector sobre todos os outros.
O livro não tem nada. Usa um falso plano de fundo social, com uma citação dispersa sobre uma caminhada do MST, o fato da personagem principal ser um estuprador, que mora num prédio inacabado, invadido e que escreve poemas.
Até aí, ainda existe alguma história, mas então, ele é "adotado" por uma família, meio torta e fim.
Pode parecer que há uma coerência no relato do livro da maneira que estou explicando, mas só eu sei o esforço que fiz para tentar explicar a história que nem mesmo existe.
É isso. Noll não vale a pena ser lido.
Mas, reafirmo, a beleza da obra depende dos olhos de quem a lê.
Quem quiser perder tempo com o livro em questão, que o faça por sua conta e risco.

Um comentário:

  1. fabio shiraga06/07/2010 21:47

    meu amor, adoro vir aqui e ler teus textos.
    mas hoje tenho que discordar (como se isso não fosse comum, né? risos). achei que pecou ali quando diz que noll não vale ser lido. como pode falar isso de um autor cujo trabalho ainda não conheceu nem pela metade?
    eu ainda não li este livro que te emprestei. mas lembro de ter curtido o hotel atlântico, que inclusive virou filme de suzana amaral. e você sabe que ela escreveu e dirigiu a hora da estrela.

    e dizer antecipadamente o que acha que os adoradores de noll irão dizer foi um pouco de prepotência, não foi?

    será que suzana amaral diria o mesmo de noll e de clarice?

    termino dizendo que gostei da resenha, senti raiva ali. eu gosto disso.

    I love you,
    Fábio

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