3 de mar de 2010

Crônica de duas versões para uma mesma história


Inspirada numa proposta

A ansiedade e a angustia me consumiam desde às 6h30.
O Fábio dormia tranqüilamente ao meu lado na cama. Fiquei olhando as linhas do seu rosto, acompanhando sua respiração e imaginando como ele reagiria.
Às nove ele abriu olhos, me desejou bom dia e com um sorriso me perguntou:
- Fez xixi?
- Fiz - respondi sucintamente.
- E aí? – sentou-se na cama ao me inquirir.
Senti-me desconcertada. Que espécie de questionamento era aquele? Palavras tão ínfimas para questionar algo tão grandioso...
- E aí nada. – foi minha resposta automática.
Ele suspirou algo entre aliviado e inquieto e reinqueriu:
- Então deu negativo?
- Não. Deu positivo – respondi cabisbaixa.
- Deixa eu ver.
Levantei e peguei o exame de farmácia que eu havia guardado na bolsa.
Expliquei que, de acordo com as instruções, as duas listrinhas rosa significavam positivo.
Ele ficou olhando para o tubinho com o olhar perdido, depois me beijou nos lábios e voltou a deitar. Disse que se sentia tonto.
Eu ri. Nervosamente ri.
Estávamos em Serra Negra, na casa da mãe dele aproveitando o feriadão.
Ele foi ficando pálido.
Naquele momento, percebi a fragilidade dele e inspirando longamente, enchi-me de forças para iniciar aquela que julguei seria a conversa mais séria e densa que teríamos.
- Não se preocupe. Terei esse filho sozinha. Você tem seus planos, seus sonhos e metas e eu já abdiquei dos meus antes, posso muito bem protela-los mais uma vez. Sua vida não precisa mudar em nada.
Naquele momento descobri que a criatura ao meu lado era um homem e não um menino. Ele chorou. Reafirmou seu amor por mim e pelo bebê e disse que não existia aquilo de ele ou eu. Que éramos nós. Que aquele seria nosso filho. Que faríamos nossos planos, nossas metas. Que aquela era a nossa vida.
Um beijo selou nosso compromisso de nos tornarmos um.
Eu estava em pânico. Ele me confortava, claro, mas o medo de decepcionar meus pais mais uma vez me consumia.
Por decisão-imposição minha, combinamos que só contaríamos depois do Natal.
Passei por uma consulta médica naquela semana e meu ginecologista confirmou a gravidez, mas, por garantia, pediu o exame de sangue.
Decidi protelar o máximo possível e só realizar o teste para contar aos nossos pais. Faltavam uns 20 dias pro Natal, mas o Fábio já estava tendo crises de ansiedade e perdendo o sono.
Comecei a ter enjôos e ele, tomando as rédeas da situação me comunicou:
- Sexta vamos contar para todo mundo da nossa gravidez.
Nossa Gravidez. Aquela idéia de que ele estava grávido junto comigo me entorpeceu e concordei com sua decisão porque não tinha argumentos, nem vontade, para discordar.
E assim se fez.
O Fábio tem uma versão um tantinho mais romantizada e dramática que a minha para o início da nossa história familiar, mas, em sumas palavras, o temor, a emoção, a alegria e o torpor foram os mesmos.

3 comentários:

  1. Fabio Shiraga03/03/2010 11:28

    Daqui uma semana a gente deve descobrir o nome do bebê.

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  2. Akira! Akira! Tia Karen quer Akira! Pensei até em ter outro filho para colocar o nome de Akira, mas como posso fazer isso, gente? E o que vou falar para meu marido?

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  3. Não sei qual versão foi a mais interessante. Só sei que as duas me arrepiaram!! Belas palavras e sensações! Parabéns Fabiana
    Camis

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