Inspirada num comentário
Há tempos não registro palavras por aqui.
Tudo bem que o ritmo de vida é frenético. Filhos, trabalho, marido, mudanças, mas não são desculpas autênticas, já que ando registrando parcas palavras em outros meios de interação virtual - como o twitter -, mas que não possuem o enlevo da proposta deste Blog.
Confesso, não sem vergonha, que até mesmo minha devoração de histórias anda limitada à revista Bravo!, da qual não tenho nem aproveitado as dicas literárias, musicais e cinematográficas, mas em contrapartida, aviso aos navegantes que tenho mantido um caderno (papel, linhas, espiral) ao lado da minha cama, no qual, no meio da noite, anoto pedaços de histórias, ideias e lembranças que em breve - espero - estarei postando, para meu próprio deleite.
Esclarecimentos redundantes e irrelevantes a parte, aproveito e deixo registrada minha posição quanto ao novo livro do MEC que considera válida a grafia livre, bem como a livre construção frasal, do tipo "nois pega as bola".
Oras bolas, piraporas!
Se assim for, nosso registro escrito, o registro escrito da nossa língua, transformar-se-á em uma Torre de Babel.
"Sem regras não há código e sem códigos a comunicação fica difícil" eu escrevi em 2008, no meu projeto de Iniciação Científica intitulado "Musicalizando a gramática: um novo jeito de ensinar", publicado aqui e acredito piamente nisso.
Vejo essa flexibilidade textual como forma de melhorar os índices de analfabetismo do país, já que qualquer um que conheça, ao menos, as letras do alfabeto poderá ser considerado alfabetizado, mesmo produzindo esse tipo de dislexia textual.
Temos que pensar nas gerações futuras.
Se não padronizarmos nossa escrita, como nossos bisnetos, tataranetos, e pós tataranetos lerão o que escrevemos hoje?
Se um indivíduo não consegue ter domínia sobre a grafia da própria língua, como poderá vir a adquirir outrs habilidades ou até mesmo outras línguas?
O inglês, língua "universal", por acaso aceita de bom grado a deformação de sua grafia?
Falta coerência ao MEC, que não está adequando o ensino à nossa realidade social e econômica, de país em desenvolvimento, que precisa capacitar sua população para que esta possa interagir globalmente.
Sou faminta por histórias. Todas as histórias aqui contadas são inspiradas por outras histórias, que devorei ouvindo, assistindo ou lendo e que se tornaram minhas, mas com outras versões, criticando, debatendo, inventando, expondo, alertando, indicando ou amando.
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17 de mai. de 2011
1 de jun. de 2010
Flores de Plástico
Inspirada numa dedicatória
Pois é. Nem tudo são flores no reino da Dinamarca.
Uso desse velho ditado para me reportar às pequenas intempéreis do dia-a-dia, às gasturas, às rusgas que surgem dos relacionamentos interpessoais, sejam eles fraternos ou amorosos.
Há algum tempo ganhei de uma velha amiga um pequeno livro de pensamentos, mas nunca havia dedicado atenção a ele até esta tarde.
Tarde fria, monótona e como diz outro velho ditado, "mente ociosa é oficina do diabo", a minha mente divagou, não pelos caminhos por onde sempre divaga, mas por um terreno pedregoso e perigoso, tal qual o que a mente de Dom Quixote divagava e, assim como ele, transformei, por algumas horas, moinhos em gigantes inimigos, amigos em rivais, pessoas amadas em conspiradores.
Por sorte, mas não acaso, o pequeno livro, literalmente, caiu no meu colo do alto da prateleira e, apesar de a primeira reação ter sido a de atirá-lo longe, vislumbrei algo escrito na contracapa e reli a dedicatória que a querida amiga me fizera.
"Assim que vi o título deste livro, logo pensei em você. Não porque quero que você aprenda algo novo, não, não é isso! Quero que você resgate tudo isso que já existe aí dentro, original de fábrica! O meu objetivo é apoiá-la a ser quem sempre foi: esse ser extraordinário e fora do comum e dizer que é assim que amamos você!"
Desnecessário dizer que lágrimas banharam meu rosto e que meus pesamentos nada edificantes se esvaneceram.
Senti-me patética.
Avidamente devorei alguns capítulos do livro e encontrei até mesmo as soluções para os infundados pensamentos que haviam me assolado momentos antes.
Me dei conta de que, mesmo que alguns dos meus delírios viessem a tomar forma, todos seriam facilmente resolvidos. Bastava eu querer.
Mas, mais do que isso, percebi que, se eu temo tanto as situações que a minha mente demente projetou, depende de mim, e exclusivamente de mim, tomar as atitudes preventivas para que os moinhos de vento não se transformem em inimigos gigantes!
Além disso, as flores de plástico não são tão ruins pois, podem não ter cheiro, mas também nunca morrem.
24 de mai. de 2010
Perguntas retóricas
Inspirada num tal de Carlos
Aproveitei que esta é minha primeira semana sem fisioterapia e o fato de ainda estar de repouso, para reorganizar meus ebooks.
Demorei um tempo considerável, afinal, são mais de mil títulos, mas ao término do labor, resolvi revisitar alguns dos meus autores preferidos e, de cara, me deparei com Drummond em toda sua simplicidade e sagacidade.
Li e reli seus versos e me perdi em devaneios, pois solução pode ser tanto um soluço grande, profundo, sentido, quanto a explicação mais óbvia para qualquer questionamento banal.
A partir desta reflexão, mergulhei em um mar de perguntas retóricas, as quais decidi reportar para não esquecer.
Por que os enfeites e acessórios para meninas são sempre rosa?
Por que alguns prefeitos foram reeleitos mesmo tendo feito um primeiro mandato tão ruim?
Por que engordar é visto com maus olhos?
Por que existe preservativo masculino com sabor e feminino não? Isso é preconceito. Só quem faz sexo com homem tem o direito a um saborzinho gostoso no ato sexual oral? Quem faz sexo oral com mulher não deveria ter o mesmo direito?
Por que temos que escolher entre Dilma e Serra se há outras opções?
Por que não se deve eliminar gases, tanto oralmente quanto analmente, fora do reservado banheiro?
Por que fazem propaganda das flores em relevo de determinada marca de papel higiênico?
Por que filho que perde a mãe é órfão, mas a mãe que perde o filho não tem nome?
Por que as mulheres não podem se dar ao desfrute de serem amantes de seus próprios maridos?
Por que não devemos tomar sorvete no inverno? O que causa gripe é um vírus e não o fato de o sorvete ser gelado.
Por que um livro não pode ser realmente bom - intelectualmente falando - só por que é um best seller? A mesma pergunta se aplica aos filmes blockbusters.
Por que não se pode gostar de Chico Buarque E Wando? Por que tem que ser um OU outro?
Por que temos que comer ou gostar de arroz?
Por que não ser diferente? Mas diferente mesmo, não só pertencendo a um grupo minoritário. Ou melhor. Por que temos que pertencer a grupos?
Por que a aparência estética tem tanta importância, profissionalmente falando?
Por que a reforma ortográfica da língua portuguesa não foi estendida a fim de solucionar os reais problemas da maioria dos letrados em português, como por exemplo: S sempre com som e grafia de S; Z sempre com som e grafia de Z; X sempre com som e grafia de X.
Por que o tal do Bruno da dupla Bruno & Marrone canta gemendo, como se estivesse entalado no banheiro?
Por que o marido não pode também ser o melhor amigo da esposa e vice-versa?
Por que pisar na grama para cortar caminho, se o caminho que não agride a plantinha só aumenta em dois minutos o trajeto?
Por que boas idéias que ocorrem durante o banho, ou no meio de alguma outra atividade na qual é impossível anotá-las e/ou compartilhá-las são, invariavelmente, esquecidas depois?
Por que o Corinthians, time de futebol sem títulos em campeonatos expressivos, tem tantos torcedores chatos e fanáticos?
Por que pagamos pedágio se, segundo a legislação, a manutenção de rodovias está prevista na finalidade do imposto sobre veículos automotivos, o famoso IPVA, e o imposto imbutido nos combustíveis que somos obrigados a pagar?
Por que as pessoas ainda assistem novelas que só retratam a vida dos ricos e bem sucedidos - amorosa e profissionalmente - e perdem a oportunidade de verem os ótimos programas da TV Cultura?
Por que a Virada Cultural Paulista não ocorre trimestralmente?
E por aí as perguntas vão seguindo.
Há outras, obviamente. Mais importantes, mais profundas, menos óbvias, menos redundantes... mas também há um limite para devaneios em um post e creio que já extrapolei esse limite há muitos parágrafos...
Aproveitei que esta é minha primeira semana sem fisioterapia e o fato de ainda estar de repouso, para reorganizar meus ebooks.
Demorei um tempo considerável, afinal, são mais de mil títulos, mas ao término do labor, resolvi revisitar alguns dos meus autores preferidos e, de cara, me deparei com Drummond em toda sua simplicidade e sagacidade.
"Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração."
Li e reli seus versos e me perdi em devaneios, pois solução pode ser tanto um soluço grande, profundo, sentido, quanto a explicação mais óbvia para qualquer questionamento banal.
A partir desta reflexão, mergulhei em um mar de perguntas retóricas, as quais decidi reportar para não esquecer.
Por que os enfeites e acessórios para meninas são sempre rosa?
Por que alguns prefeitos foram reeleitos mesmo tendo feito um primeiro mandato tão ruim?
Por que engordar é visto com maus olhos?
Por que existe preservativo masculino com sabor e feminino não? Isso é preconceito. Só quem faz sexo com homem tem o direito a um saborzinho gostoso no ato sexual oral? Quem faz sexo oral com mulher não deveria ter o mesmo direito?
Por que temos que escolher entre Dilma e Serra se há outras opções?
Por que não se deve eliminar gases, tanto oralmente quanto analmente, fora do reservado banheiro?
Por que fazem propaganda das flores em relevo de determinada marca de papel higiênico?
Por que filho que perde a mãe é órfão, mas a mãe que perde o filho não tem nome?
Por que as mulheres não podem se dar ao desfrute de serem amantes de seus próprios maridos?
Por que não devemos tomar sorvete no inverno? O que causa gripe é um vírus e não o fato de o sorvete ser gelado.
Por que um livro não pode ser realmente bom - intelectualmente falando - só por que é um best seller? A mesma pergunta se aplica aos filmes blockbusters.
Por que não se pode gostar de Chico Buarque E Wando? Por que tem que ser um OU outro?
Por que temos que comer ou gostar de arroz?
Por que não ser diferente? Mas diferente mesmo, não só pertencendo a um grupo minoritário. Ou melhor. Por que temos que pertencer a grupos?
Por que a aparência estética tem tanta importância, profissionalmente falando?
Por que a reforma ortográfica da língua portuguesa não foi estendida a fim de solucionar os reais problemas da maioria dos letrados em português, como por exemplo: S sempre com som e grafia de S; Z sempre com som e grafia de Z; X sempre com som e grafia de X.
Por que o tal do Bruno da dupla Bruno & Marrone canta gemendo, como se estivesse entalado no banheiro?
Por que o marido não pode também ser o melhor amigo da esposa e vice-versa?
Por que pisar na grama para cortar caminho, se o caminho que não agride a plantinha só aumenta em dois minutos o trajeto?
Por que boas idéias que ocorrem durante o banho, ou no meio de alguma outra atividade na qual é impossível anotá-las e/ou compartilhá-las são, invariavelmente, esquecidas depois?
Por que o Corinthians, time de futebol sem títulos em campeonatos expressivos, tem tantos torcedores chatos e fanáticos?
Por que pagamos pedágio se, segundo a legislação, a manutenção de rodovias está prevista na finalidade do imposto sobre veículos automotivos, o famoso IPVA, e o imposto imbutido nos combustíveis que somos obrigados a pagar?
Por que as pessoas ainda assistem novelas que só retratam a vida dos ricos e bem sucedidos - amorosa e profissionalmente - e perdem a oportunidade de verem os ótimos programas da TV Cultura?
Por que a Virada Cultural Paulista não ocorre trimestralmente?
E por aí as perguntas vão seguindo.
Há outras, obviamente. Mais importantes, mais profundas, menos óbvias, menos redundantes... mas também há um limite para devaneios em um post e creio que já extrapolei esse limite há muitos parágrafos...
2 de mai. de 2009
Abril
Inspirada numa escolhaPassou abril em branco.
Estagnada no vértice de uma dessas encruzilhadas da vida, não deu um único passo.
Ficou em pé, esperando um sinal.
Olhava para todos os lados e espreitava o horizonte.
Ninguém voltou para lhe ensinar o caminho.
Cansou de esperar.
Enxugou as lágrimas de crocodilo e deu alguns passos para trás para ter uma visão mais ampla.
Finalmente, por sua conta e risco, fez uma escolha.
"Diante de dois caminhos o melhor a se fazer é seguir um deles, o mais depressa possível. Não conjecturar demais. É tudo questão de arriscar-se ou não. Se ficar parado, o bode te alcança e faz de você sua cabrita de estimação..."
Foi uma cabrita durante todo o mês de abril.
Agora chega.
Por essa conclusão é que esta é uma histórica curta, sobre um tempo perdido e jamais recuperado.
21 de mar. de 2009
Teoria do 3 S
Inspirada num "parabéns pra você"Ao parabenizar um amigo muito espirituoso por mais um ano de vida, procurei fugir do clássico e desejei um triplo S, sigla por mim inventada que significa: Saúde, Sexo e Sucesso.
Ao me agradecer pelas felicitações, ele me questionou sobre o significado do triplo S e respondi que era um círculo, aí tive que explicar minha teoria...
A idéia fez tanto sentido que, incentivada por ele, resolvi colocá-la no blog.
É o seguinte:
Você precisa ter sucesso para achar quem faça sexo com você. Precisa de sexo - exercício físico - para ter saúde e precisa de saúde para poder trabalhar e alcançar o sucesso.
Da mesma forma, você pode usar o sexo para alcançar o sucesso. Com o sucesso adquirido, pagar uma boa alimentação e bons médicos para ter mais saúde e, com mais saúde, ter mais disposição para alcançar mais sucesso.
E, finalizando, com a saúde, você obtêm os outros dois S, como já conjecturado...
Simples. Simplista.
Afinal, é realmente só isso que queremos da vida?
Prazer, bens materiais e muitos anos de vida para gozar de tudo isso ou há algo mais?
Lógico que ter dinheiro é bom - embora isso eu só saiba de ouvir dizer -, sexo é ótimo e ter saúde é essencial, mas, esses itens só beneficiam o corpo e somos mais do que o corpo físico, somos espíritos encarnados, seres completos destinados à evolução.
Alimentar o corpo é fundamental à manutenção vital, assim como alimentar o espírito e, o melhor alimento para o espírito é a aquisição de conhecimento, o debate de idéias e a reflexão profunda em prol não apenas de nós enquanto indivíduos, mas da coletividade.
Se essa teoria se sobreposse à teoria do triplo S, estaríamos, certamente, vivendo em um mundo muito melhor!
1 de fev. de 2009
Isso é tudo, pessoal!
Inspirada num dilemaEmbora a maioria das histórias que conto neste espaço - com muitas adaptações, obviamente - serem inspiradas em histórias acontecidas comigo, ou com amigos meus, tenho evitado usar a primeira pessoa na narrativa, com exceção, por enquanto, do texto de abertura da Devoradora de Histórias e o Conta Comigo.
Não nomear os personagens também tem sido uma opção minha, que visa salvaguardar algumas identidades, mas, como nem sempre adianta, só me resta pedir sinceras desculpas aos que se sentiram expostos demais... nunca foi essa a minha intenção.
Meu dilema agora é quanto aos amigos que têm me pedido para escrever histórias sobre eles... de coisas engraçadas, tristes ou marcantes que passamos, mas, já não tenho tempo de escrever tanto no blog como nos primeiros dias e minha memória já não é mais lá essas coisas.
Não é desdém com ninguém, ao contrário... é falta de tempo e de tema mesmo... portanto, peço que tenham paciência e que me mandem pequenos relatos que gostariam de ver transformados em histórias.
Esses relatos podem ser postados aqui como comentários ou enviados para o email do blog: fafioretti@gmail.com
E como diria o "Gaguinho" - eu lembro dele falando, mas tinha mais personagens que também diziam isso no final dos desenhos:
- Isso é tudo, pessoal.
Beijinhos, Namastê.
3 de jan. de 2009
A primeira mulher
Inspirada num ser azul e numa feministaDeus, a grande mãe, criou um ser magnífico e, em sua sublime sabedoria e benevolência, decidiu dividir esse ser em dois, para que, assim como tudo no universo que foi feito em pares, este ser pudesse ter sua metade perfeita, que o completaria.
A uma dessas metades, deu o nome de Lilith e a outra metade o nome de Adão. Soprou-lhes vida e inteligência e designou a eles um local chamado Éden.
Lilith foi o primeiro dos seres a despertar conscientemente para a vida e, enquanto Adão ainda dormia, o conhecimento sobre as coisas Divinas foi-lhe passado e a cada nova descoberta ela regozijava e questionava na busca por mais conhecimento.
Quando Adão finalmente acordou, ele e Lilith contemplaram-se atentamente e reconheceram-se como iguais, mas, Adão sentiu e fez notar, que possuía uma virilidade aparente que Lilith não tinha. Ela então lhe explicou tudo o que havia aprendido sobre as diferenças complementares entre os dois e repassou os demais conhecimentos recebidos do Criador.
Adão, com o passar dos dias, notou que sua força física era maior que a de Lilith e por isso, adotou uma conduta autoritária, sentindo que seu corpo masculino era superior à delicadeza do corpo feminino, passando a tratá-la como serva e Lilith permaneceu resignada para evitar conflitos.
No entanto, algo começou a incomodá-la profundamente.
Toda vez que eles faziam amor, Adão tentava subjugar Lilith, posicionando-se sobre ela e quando ela o questionou por que ela não poderia ficar por cima, ele simplesmente argumentou que era seu o direito, pois ele era o mais forte o que deveria provê-la.
Lilith ainda tentou contra-argumentar que eles eram iguais, feitos do mesmo barro e que não apenas ela deveria suportar o peso dele. Como Adão desdenhou de sua opinião, Lilith não mais suportou aquela conduta, invocou o Criador e pediu que ele advogasse por eles.
O Criador informou que os amava igualmente e incondicionalmente e que, portanto, não julgaria a questão, pois, junto com a vida e a inteligência, havia dado-lhes o livre-arbítrio, para que fossem capazes de tomar suas próprias decisões e ter o direito às suas próprias escolhas.
Assim que o Criador os deixou, Adão afirmou que não aceitaria que Lilith ficasse sobre ele. Que aquilo não seria natural. Decepcionada, Lilith avisou que o estava deixando, que deixaria o paraíso. Adão riu-se e foi colher frutas.
Enfurecida, Lilith saiu andando a esmo, até as fronteiras do Éden e novamente invocou Deus. Expôs sua revolta com Adão e disse que queria outro lugar para viver, que ali não poderia mais ser feliz. Deus pensou por um segundo a disse-lhe que o único lugar onde ela talvez pudesse encontrar a felicidade que estava procurando, seria no planeta Terra.
Ele a deixaria ir então para um local denominado Nod, que supriria suas necessidades físicas por um tempo, mas que a Terra ainda estava em processo de aprimoramento e transformação e que ela, Lilith, teria que suportar todos esses ciclos até que o planeta estivesse pronto para receber seus novos habitantes e que ela deveria colaborar na evolução desses novos habitantes, compartilhando seus conhecimentos quando eles já estivessem prontos para compreendê-los.
Mesmo sabendo que sua missão não seria fácil, Lilith a aceitou. Adão chorou por dias o amor perdido e Deus apiedou-se dele e de uma de suas costelas, fez para ele uma nova companheira. Lilith então foi levada a Nod e lá se estabeleceu.
Teorema
Inspirada numa piadaEngraçado como que para tudo ele tem uma teoria.
Não, essa não é uma qualidade exclusivamente sua.
Na verdade, todas as pessoas têm uma teoria sobre alguma coisa, nem que sejam teorias de frases feitas, pensamentos óbvios, mas, ainda assim, teorias.
No entanto, as teorias são, para ele, fundamentais, pois todas suas idéias, conversas e vivências são baseadas nessas teorias.
Enquanto escreve, elabora mais uma das suas teorias, a de que alguém lerá suas histórias e terá sobre elas, a mesma experiência que teve ao escrevê-las e então, em outro âmbito, estarão ligados, em sintonia...
Mas, essa teoria vem de encontro a outra de suas teorias mais propagadas aos quatro ventos: a interpretação depende exclusivamente de quem lê ou ouve e não de quem escreve ou fala.
Contraditório.
Suas teorias são, quase sempre, contraditórias.
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