22 de nov. de 2010

Invisível

Inspirada numa capa

Toda livraria que se preze, precisa ter uma cafeteria ao lado, pois há poucas coisas que combinem tão bem quanto um bom livro e um bom café. Talvez cerveja gelada e panceta do Mineiro seja outro bom exemplo combinatório, mas em outro contexto.
Pois bem, reambientando esta história, estava eu com a gula despertada pelo aroma inebriante da cafeteria vizinha, quando adentrei à Livraria Laselva apenas para olhar e então deparei-me com a suculenta capa cor de creme de Incrível, romance de Paul Auster.
Café com chantilly. Minha boca aguou.
Papel lombado, apetitoso. Título em baixo relevo. Eu precisava morder aquela capa.
Fui verificar o preço num daqueles aparelhos que lêem o código de barras. Estava quebrado. Fiquei sem ação. Por sorte, uma simpática atendente veio ao meu encontro e socorreu-me.
Consultou o preço no caixa enquanto eu babava e anunciou: R$ 49,90.
"Que chantilly caro, pensei". Chorei um desconto a vista e consegui arrematar a porção de creme por 39 reais.
Ela entregou-me um exemplar embalado.
Não apenas o plástico separava minha arcada dentária daquele item apetitoso, mas toda uma cadeia de convenções sociais e, mesmo que a contragosto - e também para não envergonhar o Fábio e o Léo que estavam comigo, confesso - contive-me.
Quando chegamos em casa, não resisti mais. Abri com sofreguidão a embalagem e cravei os dentes naquele objeto.
Salivante. Eu estava salivando e foi inebriante saciar o tosco desejo oral naquele instante e algo inevitável aconteceu. O livro preso em minha boca, acariciado pelos meus dentes, soltou aquele cheiro de papel novo e meu olfato despertou a minha fome de histórias.
Foi como quando a gente sente cheiro de pão quentinho e café coado.
Entreguei-me à leitura. Grata surpresa.
Tenho, desde então, sorvido a escrita de Auster em pequenas doses diárias, de modo a saboreá-la o máximo possível. Embora esteja gostando muito da história, da narrativa sobre um jovem estudante de literatura, às voltas com a luxúria, o passado, o idealismo, referências literárias e históricas e até um possível incesto, existe a possibilidade de que, no fim das contas, o enredo não deixe nenhuma marca em mim, mas, a minha marca, a marca da devoradora, sempre estará impressa na capa deste livro.

17 de set. de 2010

A vida íntima de Laura

Inspirada numa contação de histórias

Quando o Léo, meu primogênito, era pequeno - ele prefere que eu diga "quando era criança", pois no auge dos seus 12 anos, já se considera um adolescente, quase adulto, embora nunca cresça para mim... - eu lia para ele todas as noites, na esperança de despertar o gosto pela leitura nele.
Infelizmente, não funcionou muito. Ele não gosta de ler. Mas adora histórias. Especialmente se eu lê-las em voz alta para ele. Enfim, mas dentre tantas lidas, a minha preferida que passou a ser uma das preferidas dele também, foi resgatada do fundo do armário: A vida íntima de Laura.
Essa obra infantil de Clarice Lispector - que escreveu 5 livros infantis: O mistério do coelho pensante (1967); A mulher que matou os peixes (1968); A vida íntima de Laura (1974); e dois publicados postumamente, Quase de verdade (1978) e Como nasceram as estrelas (1987) - é tão maravilhosa que foi objeto de análise da minha monografia, além de ser material fantástico para trabalhar em sala de aula.
Pois bem, como eu vinha dizendo, tentando liberar espaço no armário para acomodar os presentes do Chicão, encontrei o livro - na verdade a versão em e-book da obra, a qual imprimi - e me emocionei.
Peguei o Chico em um braço e "Laura" no outro e, caminhando pela casa, fui narrando os pensamentozinhos e sentimentozinhos da personagem principal. Que delícia. O Francisco prestou atenção o tempo todo e, mesmo não tendo entendido bulhufas, tenho certeza de que o ritmo do texto clariciano o agradou.
Mas, você deve se perguntar, afinal, quem é Laura?
Primeiro é necessário explicar o que é vida íntima...
Segundo a própria Clarice, vida íntima é aquilo que acontece na casa da gente e não devemos contar para ninguém.
E, mesmo assim, ao longo das deliciosas páginas, Clarice vai nos contando tudo sobre a vida íntima da Laura.
Agora, quanto a quem é Laura, te dou um beijo na testa se adivinhar!!!
Disponibilizarei o e-book no meu 4shared.
Faça o download e descubra o mistério. É diversão de ótima qualidade garantida!

26 de ago. de 2010

1 mês

Inspirada num olhar e num beijo


O Francisco engorda na mesma proporção com que emagreço.
O Francisco cresce na mesma proporção com que minhas medidas diminuem.
O Francisco não dorme na mesma proporção com que minhas olheiras aumentam.

Mas, há um momento, aquele momento, em que seu olhar vem na direção do meu e seus lábios tocam minha pele, e então toda a exaustão é dissipada e a felicidade inunda todo meu ser e tudo que nos cerca...